CAPÍTULO 2
DIA SEM NENHUMA LEMBRANÇA
"Uma vida arruinada. Um breve romance. O começo da jornada."
13:21
A espera parecia interminável. O médico não chegava. Eu não sabia quem eu era nem o nome do médico. Como pode alguém esquecer-se o próprio nome? Trabalho? Vida? Começava a ficar impaciente. Finalmente o médico decidiu aparecer.
Acompanhado de uma enfermeira, ele disse que procurou na recepção por meus pertences e apenas me entregou um pedaço de papel.
- No seu bolso apenas havia este papel, algumas moedas, chaves e quanto ao que você havia comprado no supermercado, transeuntes levaram.
- Então nada do meu nome doutor?
- Lamento senhor. Sem seus documentos não há nada que eu possa fazer além de te receitar alguns remédios para caso você tenha dores de cabeça nas próximas semanas. Mas posso lhe garantir que ligamos para o número que está no papel, e uma moça virá lhe ver em algumas horas.
- Obrigado doutor, mas quem é ela?
- Não sei lhe dizer. Ela também não disse saber sobre você.
13:55
No quarto havia um rádio velho. Decidi ligar e ouvir algo não só para quebrar aquele clima de espera e quarto de hospital, mas para também tentar lembrar de algo.
13:57
Uma lembrança vem à tona. Tocava You Are Not Alone e eu lembrei. Ela era loira, olhos azuis, nem magra nem gorda, normal, baixinha. Beijou-me e seguiu em frente. Estávamos em frente a uma loja de discos. Eu a amava. Aquele foi um beijo de despedida, tenho certeza, pois no momento que a vi partindo, meus olhos encheram de lágrimas e tive de me perguntar por que eu estaria ali, parado, sozinho, chorando. Aquele foi o fim, Santanna. Sim, doce Santanna, era assim como a chamava. Mas não lembrei do meu nome ao menos.
18:30
Uma mulher morena entra no quarto. Posso ver a expressão de surpresa que ela faz ao me ver.
- Oh! É você?
- Como assim sou eu? Você me conhece?
- Ah, eu esqueci que você perdeu a memória, desculpe. Ainda não nos conhecemos bem. Esperava a sua ligação para sairmos no sábado à noite quando ligaram para mim dizendo que era do hospital e decidi vir para saber quem era.
- Ao menos meu nome você sabe?
- Desculpe, você não me falou.
- E o seu? Como é?
- Rebecca.
- Obrigado, você foi a primeira pessoa que disse o nome para mim, mas se você não sabe sobre mim, pode ir embora se quiser.
- Oras, não seja assim tão fechado rapaz. Ouça, não sei nada sobre você certo? Mas posso te ajudar, se você quiser.
- Como você vai me ajudar?
- Bem, não faço ideia. Mas sei que você sempre passava no supermercado que trabalho, então alguém deve te conhecer. Já é um começo.
- Obrigado pela disposição Becky, posso chamá-la assim?
- Claro. (E as bochechas dela ficaram rosadas)
- Mas não podemos procurar assim. Não tenho lugar para ficar já que não sei onde ...
- Você fica lá em casa. Não há discussão. Eu te ajudo, OK?
Ela foi firme nas últimas palavras. Percebi que não era uma opção para mim e sim uma ordem. Será que ela estava interessada em algo mais que não fosse em me ajudar? Talvez, mas ela poderia ter dito que era minha namorada, ficante ou algo assim e no entanto, não disse. O que há? Bem, não restou mais o que falar.
- OK.
- Então moço, vamos sair daqui agora ou não?
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