- Conheça meu mundo. Prazer. Nada aqui para você faz sentido. Não é um mundo normal. Nele eu sou o prefeito e o cidadão, o bom dia, o questionamento e a resolução. Meninas têm o mesmo tamanho dos meninos. Cachorros são azuis, verdes, roxos. Gatos podem voar. Pássaros tocam violino, violão, flauta, tambor. Sorvete é um Estado e sua Capital é Flocos. Os prédios constroem-se sozinhos. Bebês nascem quietos para poder olhar suas mães e dizerem: Estou aqui! Escolas existem para passar o dia como colônia de férias e lá se aprendem a jogar amarelinha, pique, queimado. Todos, até os adultos, têm um amigo imaginário. Ninguém está sozinho. Todos são educados por instinto. Ninguém precisa trabalhar duro. As refeições são altamente nutritivas: chocolate, bolo, biscoito, salgado, pizza, pastel, pão de queijo, pão doce, arroz, feijão e salada. Não há temporal. Aliás, quando chove é felicidade. Praia é logo na esquina todos os dias. Parece mentira, mas não é.
- Seu mundo não existe. É sua imaginação.
- Não acredito em você. Sua imaginação pode criar um mundo melhor que o melhor mundo que há. Melhor que o MEU mundo! Então porque vives essa mentira?
- Porque sou mais um ser humano qualquer. Matei toda a inocência que há em mim.
Café com Letras
domingo, 28 de outubro de 2012
Minúsculos
As coisas simples.
As coisas pequenas.
Os sorrisos, abraços, olhares.
Toda essa simplicidade,
eu acredito,
é o que nos torna humamos,
é o que me toca profundamente.
As coisas pequenas.
Os sorrisos, abraços, olhares.
Toda essa simplicidade,
eu acredito,
é o que nos torna humamos,
é o que me toca profundamente.
[SER]
Por fora,
Eu sou humano
Eu sou pessoa
Eu sou visível, vulnerável.
Por dentro,
Eu sou céu
Eu sou mar
Eu sou humano
Eu sou pessoa
Eu sou visível, vulnerável.
Por dentro,
Eu sou céu
Eu sou mar
Eu sou vulcão.
Como me veem, eu sou
domado.
Como me vejo, eu
domador.
Eu sou a literatura,
o nada que para tudo serve,
Sou a magia,
a cura, o amor.
Como me veem, eu sou
domado.
Como me vejo, eu
domador.
Eu sou a literatura,
o nada que para tudo serve,
Sou a magia,
a cura, o amor.
[SER] Metamorfose
Quisera eu crescer,
ser forte,
lutar,
sonhar,
viver.
Livrar-me das
cadeias que
ser forte,
lutar,
sonhar,
viver.
Livrar-me das
cadeias que
me aprisionam nessa
condição.
Tornar-me para você como
o sol, que tece
a manhã, que permite
a esperança, que enche
a vida, com mais
alegria, deixando de
lado a tristeza, fazendo
poesia, cobrindo de
amor os teus dias, assim
como em cada amanhecer.
condição.
Tornar-me para você como
o sol, que tece
a manhã, que permite
a esperança, que enche
a vida, com mais
alegria, deixando de
lado a tristeza, fazendo
poesia, cobrindo de
amor os teus dias, assim
como em cada amanhecer.
sábado, 4 de agosto de 2012
CAPÍTULO 2
DIA SEM NENHUMA LEMBRANÇA
"Uma vida arruinada. Um breve romance. O começo da jornada."
13:21
A espera parecia interminável. O médico não chegava. Eu não sabia quem eu era nem o nome do médico. Como pode alguém esquecer-se o próprio nome? Trabalho? Vida? Começava a ficar impaciente. Finalmente o médico decidiu aparecer.
Acompanhado de uma enfermeira, ele disse que procurou na recepção por meus pertences e apenas me entregou um pedaço de papel.
- No seu bolso apenas havia este papel, algumas moedas, chaves e quanto ao que você havia comprado no supermercado, transeuntes levaram.
- Então nada do meu nome doutor?
- Lamento senhor. Sem seus documentos não há nada que eu possa fazer além de te receitar alguns remédios para caso você tenha dores de cabeça nas próximas semanas. Mas posso lhe garantir que ligamos para o número que está no papel, e uma moça virá lhe ver em algumas horas.
- Obrigado doutor, mas quem é ela?
- Não sei lhe dizer. Ela também não disse saber sobre você.
13:55
No quarto havia um rádio velho. Decidi ligar e ouvir algo não só para quebrar aquele clima de espera e quarto de hospital, mas para também tentar lembrar de algo.
13:57
Uma lembrança vem à tona. Tocava You Are Not Alone e eu lembrei. Ela era loira, olhos azuis, nem magra nem gorda, normal, baixinha. Beijou-me e seguiu em frente. Estávamos em frente a uma loja de discos. Eu a amava. Aquele foi um beijo de despedida, tenho certeza, pois no momento que a vi partindo, meus olhos encheram de lágrimas e tive de me perguntar por que eu estaria ali, parado, sozinho, chorando. Aquele foi o fim, Santanna. Sim, doce Santanna, era assim como a chamava. Mas não lembrei do meu nome ao menos.
18:30
Uma mulher morena entra no quarto. Posso ver a expressão de surpresa que ela faz ao me ver.
- Oh! É você?
- Como assim sou eu? Você me conhece?
- Ah, eu esqueci que você perdeu a memória, desculpe. Ainda não nos conhecemos bem. Esperava a sua ligação para sairmos no sábado à noite quando ligaram para mim dizendo que era do hospital e decidi vir para saber quem era.
- Ao menos meu nome você sabe?
- Desculpe, você não me falou.
- E o seu? Como é?
- Rebecca.
- Obrigado, você foi a primeira pessoa que disse o nome para mim, mas se você não sabe sobre mim, pode ir embora se quiser.
- Oras, não seja assim tão fechado rapaz. Ouça, não sei nada sobre você certo? Mas posso te ajudar, se você quiser.
- Como você vai me ajudar?
- Bem, não faço ideia. Mas sei que você sempre passava no supermercado que trabalho, então alguém deve te conhecer. Já é um começo.
- Obrigado pela disposição Becky, posso chamá-la assim?
- Claro. (E as bochechas dela ficaram rosadas)
- Mas não podemos procurar assim. Não tenho lugar para ficar já que não sei onde ...
- Você fica lá em casa. Não há discussão. Eu te ajudo, OK?
Ela foi firme nas últimas palavras. Percebi que não era uma opção para mim e sim uma ordem. Será que ela estava interessada em algo mais que não fosse em me ajudar? Talvez, mas ela poderia ter dito que era minha namorada, ficante ou algo assim e no entanto, não disse. O que há? Bem, não restou mais o que falar.
- OK.
- Então moço, vamos sair daqui agora ou não?
sábado, 21 de julho de 2012
CAPÍTULO 1
O DIA EM QUE EU PERDI A MEMÓRIA
"Assim foi quando eu perdi a memória. Os dias até lembrar. A dor de não saber."
12:02
Não sou do tipo de pessoa que anda pelas ruas procurando o que fazer, ou onde ir. Nunca fui. Às vezes me permito olhar pela janela do apartamento as pessoas que passam. Do outro lado da rua não há casas. É sempre a mesma paisagem: o calçadão, a areia, o mar, os banhistas. E neste exato momento, não estou mais na janela. Acabara de passar pelo portão do prédio. Cinco ruas depois estava um supermercado. Era para lá que me dirigia. E é assim que começa minha história.
13:05
Não havia muitas pessoas lá no supermercado. No caixa passei duas caixas de cereais, alguns pacotes de DORITOS, uma coca-cola e um Quinta do Morgado. A moça do caixa, uma mulher atraente, devia ter seus 28 anos, morena, olhos castanhos, lábios carnudos acabou me deixando um pouco sem jeito e acabei sentindo minhas bochechas um pouco mais quentes, o que me fez pensar na hora que estavam vermelhas. - Esse é um péssimo sinal - Eu poderia iniciar mais um romance ali, naquela hora, afinal, pelo visto algo meu chamou a atenção dela. Não sou o tipo que as mulheres normalmente desejam, mas nos meus 25 anos, estando em boa forma e, de certa forma, "balançando" a moça do caixa, o que me resta é aproveitar esses meus dias.
Saí do supermercado com o número dela e a promessa de ligar no sábado à noite. Mal sabia o que iria me acontecer dali há alguns minutos.
13:12
De duas coisas me lembro: colocar o pé na faixa de pedestres e acordar no hospital.
Não sei o que aconteceu.
"Eu vi ele atravessando a rua e do nada um carro o acertou e ele foi para do outro lado da rua. Havia sangue no rosto dele e muita gritaria. O carro parou por um segundo e depois continuou correndo." (Foi assim que uma mulher alta e esguia declarou à polícia quando questionada como testemunha do acidente)
De tudo o que sei, é que o médico me disse que que houve uma contusão cerebral. Em alguns dias eu poderia receber alta. E então: Senhor, qual o seu nome?
- Doutor, qual o MEU nome?
- Não se lembra?
- Doutor, QUAL O MEU NOME!
- Calma, vou pedir para uma das enfermeiras trazer seu pertences.
E agora sem nome, quem sou eu?
sábado, 16 de junho de 2012
mús(ica)
Músicas traduzem sentimentos
Músicas emoções
traduzem ações
Músicas pessoas
[...]
Músicas também servem de remoque.
Músicas emoções
traduzem ações
Músicas pessoas
[...]
Músicas também servem de remoque.
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