sábado, 21 de julho de 2012

CAPÍTULO 1


O DIA EM QUE EU PERDI A MEMÓRIA

                 
 "Assim foi quando eu perdi a memória. Os dias até lembrar. A dor de não saber."


                 12:02
                 
                 Não sou do tipo de pessoa que anda pelas ruas procurando o que fazer, ou onde ir. Nunca fui. Às vezes me permito olhar pela janela do apartamento as pessoas que passam. Do outro lado da rua não há casas. É sempre a mesma paisagem: o calçadão, a areia, o mar, os banhistas. E neste exato momento, não estou mais na janela. Acabara de passar pelo portão do prédio. Cinco ruas depois estava um supermercado. Era para lá que me dirigia. E é assim que começa minha história.
                 
                 13:05

                 Não havia muitas pessoas lá no supermercado. No caixa passei duas caixas de cereais, alguns pacotes de DORITOS, uma coca-cola e um Quinta do Morgado. A moça do caixa, uma mulher atraente, devia ter seus 28 anos, morena, olhos castanhos, lábios carnudos acabou me deixando um pouco sem jeito e acabei sentindo minhas bochechas um pouco mais quentes, o que me fez pensar na hora que estavam vermelhas. - Esse é um péssimo sinal - Eu poderia iniciar mais um romance ali, naquela hora, afinal, pelo visto algo meu chamou a atenção dela. Não sou o tipo que as mulheres normalmente desejam, mas nos meus 25 anos, estando em boa forma e, de certa forma, "balançando" a moça do caixa, o que me resta é aproveitar esses meus dias. 
                 Saí do supermercado com o número dela e a promessa de ligar no sábado à noite. Mal sabia o que iria me acontecer dali há alguns minutos.

                  13:12

                 De duas coisas me lembro: colocar o pé na faixa de pedestres e acordar no hospital. 
                 Não sei o que aconteceu.

                 "Eu vi ele atravessando a rua e do nada um carro o acertou e ele foi para do outro lado da rua. Havia sangue no rosto dele e muita gritaria. O carro parou por um segundo e depois continuou correndo." (Foi assim que uma mulher alta e esguia declarou à polícia quando questionada como testemunha do acidente)

                 De tudo o que sei, é que o médico me disse que que houve uma contusão cerebral. Em alguns dias eu poderia receber alta. E então: Senhor, qual o seu nome?
                 - Doutor, qual o MEU nome? 
                 - Não se lembra? 
                 - Doutor, QUAL O MEU NOME!
                 - Calma, vou pedir para uma das enfermeiras trazer seu pertences. 
                 E agora sem nome, quem sou eu?

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